Como foi o último dia do Festival Calango
Foto por Lucas Ninno @lucasninno
Quando seis acadêmicos de música (da UFMT) acreditam na melodia e se juntaram para formar um grupo de estudo e isso posteriormente se transforma em um grupo musical, surgiu aí o Urutau, primeiros a se apresentar no festival no domingo. Com diversos instrumentos e muito talento, a boa música é um fruto inevitável quando se apresentam. Os integrantes gostaram muito de tocar no Calango, ainda mais quando o novo formato do festival tem uma amplitude tão grande de gêneros e acontece em vários lugares. Eles estão buscando incentivos para gravar o primeiro CD e também se inscrevem em vários projetos de música para conseguir trabalhar melhor essa arte. Reclamaram da falta de estrutura de muitos lugares da cidade para receber seus shows e por isso só se apresentam em locais onde há todos os aparatos necessários para a captação perfeita do som.
A segunda apresentação da noite foi a banda Gloom, que veio diretamente de Goiás para deixar o fim da tarde mais dançante. Todos são jovens de 20 a 26 anos e já se apresentaram outras vezes em Cuiabá no Grito Rock. Pontuaram as principais diferenças entre as apresentações, entre elas o lugar onde tocaram, no Grito foi em local fechado e agora no Calango em uma praça.
Os Monocromatas subiram ao palco e assim que iniciaram o show fizeram muita gente cantar junto. A banda está em processo de finalização do primeiro democlipe, feito por alunos de Comunicação Social da UFMT como Trabalho de Conclusão de Curso. Dois integrantes da banda, André e Buiu, já haviam tocado anteriormente no festival e os dois gostaram muito de agregar mais essa experiência ao currículo. Encerraram a coletiva com a frase: “Em tempos de coloridos, o legal é ser Monocromata.”
A banda Tereza veio lá do Rio de Janeiro para participar do último dia do Calango. Com uma apresentação muito animada e com participação muito grande do público, o balanço final não podia ser outro: extrema felicidade pelo resultado do show. A banda já venceu o Festival Universitário da MTV no final do ano passado e esse prêmio rendeu uma participação ao vivo no programa Acesso MTV. Revelaram ter influência não de bandas, mas sim de músicas. Elogiaram o novo formato do evento, afinal, a abrangência de público é bem maior que eventos que são realizados somente em um lugar.
A cantora Lu Bonfim fez uma belíssima apresentação e nos concedeu a entrevista super animada após o show. Como conhece todo mundo que estava envolvido com a produção do Festival Calango, a reforma da Casa Fora do Eixo lhe foi ofertada pelo seu pulso forte no comando. Ou seja, ficou estritamente ligada ao festival, muito envolvida com tudo, foi um trabalho árduo, porém, muito satisfatório. O cantor, compositor, intérprete e instrumentista Paulo Monarco é o produtor do seu novo CD, este possui elementos que resgatam os elementos regionais como a utilização do mocho e o ganzá nas suas canções.
Um dos grandes destaques da noite foi a banda Móveis Coloniais de Acaju, uma das atrações mais esperadas dessa edição do Calango fez um show cheio de muita energia, interação e tudo o mais. A banda já conseguiu ter sua música incluída na trilha sonora da novela “Araguaia”, da Rede Globo, essa inclusão é o resultado do esforço do trabalho realizado durante anos. A banda se tornou uma banda-empresa há dois anos e isso dá a oportunidade deles agregarem o preço que acham justo aos produtos por eles comercializados (camisetas, acessórios, discos, etc.). Pela segunda vez em Cuiabá, a banda sentiu a diferença de tocar em um local aberto e com mais pessoas. A surpresa da noite foi a empolgação de um garotinho de no máximo 3 anos de idade que estava na platéia, ele dançava todas as músicas e estava adorando o show.
O rapper cuiabano Linha Dura fez uma apresentação com a participação de b-boys da CUFA Mato Grosso e cantou seus sucessos para o público, que estava como sempre muito participativo. Linha Dura busca a construção de novas alternativas para os garotos que participam da CUFA, faz um trabalho para estimular a criatividade, segundo ele, a consciência é a resistência dos bairros de qualquer lugar. Semana passada aconteceu o Festival Consciência Hip Hop e um dos objetivos de festivais como esse é atrair o público que normalmente não iria à periferia seja por medo ou preconceito, e promover o clima de paz entre todas as tribos da cidade. Segundo ele, o cenário do hip hop está murchando no estado, o auge foi nos anos 90. Hoje ele conhece apenas 10 rappers e todos eles não têm certa produção nem profissionalismo, estão ainda na batalha. No final da entrevista, Paulo Monarco elogiou a bela apresentação que Linha fez.
O show que encerrou essa belíssima edição do Festival Calango foi BNegão e os Seletores de Frequência. Há mais de 10 anos sem vir a Cuiabá, BNegão volta com um projeto que está rodando o país inteiro e também o exterior. As letras sempre com forte apelo político e a mistura de rap com instrumentos de sopro é uma alquimia sonora e todos aqueles que assistiram ao show curtiram pra caramba. BNegão até brinca com o fato de lançar disco de 8 em 8 anos, igual Dorival Caymmi. Está envolvido em milhares de projetos, mas não abandonará nenhum para ter mais tempo de descanso. Há 10 com o projeto em parceria com os Seletores, BNegão revelou que o seu RG espiritual está nesse projeto e que só não participará mais quando morrer. Devido aos inúmeros projetos, a agenda dele está lotada, o último show do ano será no dia 28 de dezembro e o primeiro de 2011 será no dia 2 de janeiro!

