Coletivas de Imprensa do dia 26/11

As entrevistas concedidas pelas bandas renderam muita coisa boa e novidades para os fãs. Além de contarem suas experiências com o palco e público, houve também um papo sobre expectativas futuras.
A primeira banda a subir no palco foi a vencedora das prévias do festival, a Ponto 6. Numa entrevista mais intimista, o baixista André Mattos contou que a formação atual da banda está junta há dois meses e que todas as músicas são autorais. Não definiu o estilo musical da banda, mas disse que é algo com uma pegada mais pop com influências de Paralamas do Sucesso, Sublime e outros. Ao falar sobre como foi vencer as prévias de um festival tão conhecido, André disse que foi uma ótima experiência e que tocar pela primeira vez no Calango é algo inesquecível.
Depois da vencedora das prévias, a banda que se apresentou foi a 4 Instrumental. A banda faz parte do coletivo Fórceps e tem se mantido graças ao talento nesse cenário de bandas instrumentais. Os integrantes revelaram a pretensão de lançar um álbum em 2011, mas até agora não é nada definido, falaram sobre suas experiências em outros festivais como o Marreco (que aconteceu em Patos de Minas – MG), no Minas Instrumental, onde ganharam o prêmio de melhor banda instrumental, e também sobre como foi tocar na Virada Cultural. Essa banda vem da cidade de Sabará – MG e o coletivo do qual participam já tem sede própria. Revelaram ser influenciados pelo rock progressivo, o rock inglês e outros diversos tipos musicais, porém, eles não se autodenominam nenhum tipo, dizem que se denominar é um ato de limitação. Fecharam a entrevista dizendo que pelo fato da música ser instrumental ajuda à experimentação e que nunca se preocuparam com fazer música com vocal.
De última hora a programação foi alterada e Macaco Bong entrou em cena mais cedo, num show muito bacana e com bastante envolvimento com o público. Porém, como estavam trabalhando na produção do festival não concederam entrevista coletiva.
A banda Jair Naves com seus 5 integrantes, fez uma apresentação muito bacana e na hora de falar com a gente revelou que tem influência de músicas antigas e contemporâneas (Macaco Bong faz parte dessa turma de influenciadores). Contaram também o relacionamento da música que eles fazem com a poesia, literatura, cinema e todas as artes. A agenda de shows para a divulgação do novo EP lançado em fevereiro desse ano está bastante agitada, já tocaram em Goiânia, Cuiabá, Campo Grande e estão por tocar no interior de São Paulo. Houve elogios ao público cuiabano, definiu-o como diferenciado e reclamaram um pouco das nossas condições climáticas mais extremas. Quando questionados sobre a possibilidade de ser uma banda de mercado, responderam com muita segurança que eles definitivamente não conseguem se ver como tal.
Sem dúvida alguma, um dos shows que mais levantaram o astral do público foi o do Paulo Monarco. Ganhou recentemente prêmios na Bahia (numa parceria com Alisson Mendes, músico baiano) e em Botucatu. Na coletiva de imprensa se mostrou muito a vontade e respondeu com muita animação às perguntas, afinal, “nunca vi tanta gente desconhecida cantar a minha música”, disse Paulo. Quando questionado sobre o seu estilo musical, Monarco disse que não faz MPB, faz música e essa música pode ser chamada de “música antena”, aquela que pode ser captada por todos. No mês de agosto lançou um CD de forma totalmente independente e para sua surpresa as 100 cópias produzidas foram vendidas no mesmo mês, isso o deixou muito contente. Revelou sua promiscuidade e quer que todos o peguem, ouçam suas músicas, troquem arquivos, baixem suas canções. “Foi uma das mais belas noites da minha vida”, disse Paulo muito satisfeito com a apresentação.
A banda argentina Pez, que tocará no sábado, dia 27, também tocou no dia 26. Numa performance que intercala vocal e instrumental, foi muito bem recebida pelo público cuiabano e ficaram muito felizes com a calorosidade da recepção. A banda tem 17 anos e essa foi a primeira vez que se apresentaram no Brasil, já gravaram 13 CD’s e possuem centro de gravação próprio. A cena independente na Argentina é muito forte, porém com um diferencial: o governo não incentiva esse cenário. Uma banda com tantos anos de carreira sempre atrai o respeito e admiração das bandas iniciantes, é pensando nessa troca de experiência que a Pez ajuda os que estão entrando na estrada agora.
O penúltimo show da noite ficou por conta da turma da banda Do Amor, com músicas muito envolventes, até o ritmo paraense carimbó deu as caras na Praça das Bandeiras. Antes de iniciar a entrevista o Flávio Basso, vulgo Woody Apple, elogiou muito a apresentação dos caras e o pessoal da banda ficou muito animado com o estímulo. Essa foi a terceira vez que tocaram no Calango, numa apresentação bem diferente e esse novo formato “Em todos os lugares”, segundo a banda lembra a Virada Cultural. Com uma longa carreira, eles vêem o momento atual da cena independente como único e cada vez mais apostam na mistura musical, por isso os festivais dão tão certo, porque apostam no diferente. O último álbum da banda caiu na rede antes de ser lançado oficialmente, os integrantes não viram isso como um fator negativo, pelo contrário, visualizaram como uma forma de marketing.
Para fechar a noite, a banda Júpiter Maçã levou os fãs ao delírio com suas canções e desempenho em palco, era visível a animação dos integrantes com a participação do público. Na coletiva, Woody Apple disse que foi muito boa a receptividade da galera e não esperava que houvesse tantos fãs no Mato Grosso. Um dos próximos projetos da banda é lançar uma coleção, porém não será em vinil como Woody pretendia, eles terão que se render ao CD. A banda possui uma gravadora e no início de 2011 pretende trabalhar em um novo álbum com músicas autorais tanto em português quanto em inglês.

Por Laura Meireles @lmeireles