Calango 2010: Musicalmente Democrático

Isabela Bosi – Cobertura Colaborativa

fotos por Fernando Antunes e Luana Prado

Se você está em Cuiabá e ainda não veio para a Praça das Bandeiras está perdendo uma das melhores noites do Calango 2010. Eu sei que a programação deste sábado mal começou, mas já posso falar com convicção que as primeiras atrações desta noite foram umas da melhores supresas do festival, até então.

Quem primeiro subiu ao palco, foi o pessoal do Espírito das Máquinas, ainda com o sol forte e o público chegando. Logo após, Graveolas e o Lixo Polifônico assumiram a condução e deixaram as pessoas presentes maravilhadas. A banda de Minas Gerais mostra como a música contemporânea deve ser feita, sem medo e sem preconceitos artísticos.

Graveolas já existe há seis anos e, durante esse tempo, foi agregando ao trio inicial mais artistas, dentre eles músicos, bailarinos, videomakers, e muito mais. Um dos objetivos da banda é passar a compor mais músicas juntos, priorizando a ideia de arte coletiva. Essa foi a primeira vez do grupo em Cuiabá e eles fizeram um show, com certeza inesquecível. O único “problema” foi o calor. ”Tive que jogar duas águas na cabeça”, brincou o guitarrista Zelu, visivelmente encharcado.

A terceira banda da noite provou que o Calango 2010 é, de fato, um festival musicalmente democrático. Da mistura de samba, com frevo e bossa dos mineiros da Graveolas, a programação passou para o tango eletrônico com milonga dos meninos do Finlândia.

Maurício Candussi, da Argentina, e Raphael Evangelista, brasileiro de São Paulo, se uniram há cerca de oito meses em torno do projeto Finlândia. Maurício na sanfona e no teclado e Raphael no violoncelo. No meio do palco, à primeira vista discretos e intimistas, os meninos do Finlândia cresceram e se iluminaram no decorrer do show, arrancando gritos e aplausos de todos a plateia.

A turnê dos meninos que, inicialmente, teria apenas 10 shows, já está na 53ª apresentação. “Mas em dezembro a gente para pro Maurício passar o natal em casa”, brincou Raphael. Os dois já estão gravando o próximo disco, que se chamará “Carnavales” e será lançado em março de 2011.

O álbum será uma coletânea de composições próprias em ritmos carnavalescos de quatro países: Brasil, Uruguai, Bolívia e Argentina. ”A gente vai viajando e descobrindo novos ritmos. O Uruguai tem o mais carnaval lindo do mundo”, disse Raphael, que integra a Orquestra Filarmônica de São Paulo.

“Sou o patinho feio da orquestra por estar mesclando violoncelo com musica popular”, brincou Raphael. Bom, espero que ele continue sendo o patinho feio e que a Finlândia faça mais shows pelo país. A noite continua e agora quem está no palco são os cuiabanos d’Os Vira Latas.